sábado, 6 de novembro de 2010

ZOHAR






O "Livro do Esplendor" é o mais completo registro de informação sobre o conhecimento e a natureza da doutrina da Cabala.

Sua primeira versão foi escrita em aramaico, e sua autoria é consensualmente atribuida ao Rabi Shimon bar Yohai. Foi traduzido para o hebraico pelo rabi Yehuda Ashlag (1886-1955) Ed. Hamassorah Meah Shearim, Jerusalem; em 21 volumes.

Desta versão, ou de outras produzidas pelos cabalistas espanhóis, foram criadas duas obras principais: uma tradução francesa em seis volumes, por Jean de Pauly, Larousse, Paris 1906; e uma tradução inglesa, abreviada em 5 volumes por H. Sperling e M. Simon, Soncino Press, London. Esta última compreende a chamada versão de Mantua, de Rom Vilna.

O Dr. J. Abelson observa em sua introdução a versão inglesa do Zohar (1931 por Harry Sperling e Maurice Simon) : "é um conjunto de tratados, textos, extratos e excertos de textos relativos a diversos períodos mas assemelhando-se todos no método de interpretação mística da Tora, bem como na desconcertante anonimidade em que estão protegidos.

Muitas de suas doutrinas são fundamentais e suplementares e podem ser também encontradas nos trechos mais antigos dos Talmuds Babilônico e Palestino, bem como farta literatura apocalítica judaica, produzida nos séculos imediatamente anteriores e posteriores à destruição do segundo Templo.

Ensaios sobre a lei judaica e interpretações bíblicas, que muitas vêzes são repetições verbais de passagens contidas nos dois textos revistos do Talmud, especulações sobre teologia, teosofia e cosmogonia, que encontram paralelo na literatura helenistica, e que em alguns casos mostram semelhanças com idéias contidas no Zend Avesta, o que levou a alguns estudiosos a situar parte do conhecimento do Zohar no Zoroastrismo.

Teorias gnósticas sobre a relação do homem com o divino, reproduções de crenças medievais concernentes a astrologia, fisiognomonia, necromancia, magia e metempsicose, que são estranhas ao espírito judaico, todos estes elementos se embaralham caóticamente no Zohar, um verdadeiro depósito de anacronismos, incongurências e surpresas"...

Para alguns autores, parte do Zohar é escrito em hebraico, parte em caldeu ou aramaico.

Sua estrutura corresponde aos cinco livros da Tanach: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, usualmente referidos como Pentateuco, que foram considerados como escritura sagrada até a época de Isaias. A estes são acrescentados diversos comentários, sendo: Raya Mehemna e Tikkunai Zohar encontrados na edição da Soncino.

A História do Zohar

Quando Roma reinava sobre Israel, o Rabi Shimon bar Yohai era discípulo do Rabi Akiva. Posteriormente a morte do Rabi Akiva, Rabi Shimon e seu filho Rabi El'azar partiram em segredo para uma caverna na montanha, onde permaneceram por treze anos, até que a morte do imperador romano permitiu que voltassem de seu isolamento.

Desde os primeiros tempos havia ensinamentos secretos do mistérios Divinos na Torah, que podiam somente interessar a poucos... que apenas algumas poucas almas iluminadas eram capazes de entender. Existiam textos, mencionados no Talmud, cuja origem remontava a séculos atrás. E o Talmud conta sobre sagas dos que trabalharam para dominar este conhecimento esotérico.

Os anos que o Rabi Shimon bar Yohai passou com seu filho na caverna, marcaram um ponto de mudança na história deste grande corpo de conhecimento escondido. Na escuridão de sua caverna, sem nenhum texto para ler, o Rabi Shimon trouxe a tona os níveis mais profundos da memória e visões armazenadas em seu inconsciente, por anos de estudo com os mestres do passado. Assim o Zohar tomou forma - um único trabalho que se tornou o texto clássico da Cabala. Em cada geração, depois disto, poucos selecionados o guardaram e estudaram até que no século XIV, na Espanha, o Zohar tornou-se conhecido para não mais ser escondido.

Muitos estudaram e compreenderam as intrigantes verdades do misticismo judeu. Mas poucos puderam fazer os outros compreenderem e ver. Para isto, o judaísmo deveria esperar por Safed, em 1500.

Lá o Rabi Moses Cordovero nasceu em 1522. E lá estudou com o Rabi Sh'lomo Alkabetz, autor de L'cha Dodi. Em tempo, a Cabala encontrou nele, o que a muito tempo era necessário, um mestre inspirado com uma pena. Os poucos trabalhos publicados representaram a mais clara apresentação, jamais antes realizada, e a luz brilhante da Cabala atingiu a Europa Ocidental e deu vida e dinâmica ao grande movimento dos Hassidim.

Ao mesmo tempo, um segundo mestre chegou a Safed: Rabi Isaac Luria, o Ari, de memória sagrada, que descobriu o Zohar e o estudou por longos anos, transmitindo-o oralmente a seus disípulos, junto com ensinamentos muito complexos para serem escritos. Mas os discípulos anotaram tanto quanto foi possível, produzindo os volumes do que agora chamamos de "seus escritos".

Estes escritos entretanto só foram revelados no século XX, quando o Rabi Ashlag abriu as portas, e trouxe a público, a nova visão, a nova consciência, das grandes verdades da Cabala. Este trabalho chama-se "Ten Luminous Emanations".

Este grande cabalista, em meio a considerável oposição dos Talmudistas frente a Cabala, na época moderna, teve como objetivo tornar a Cabala mais acessível para todos aqueles cujo desejo era o entendimento dos seus ensinamentos sublimes e esotéricos.

O trabalho do Rabi Yehuda Ashlag foi volumoso, e finalmente desanuviou o medo infundado das autoridades Talmúdicas, mostrando que a Cabala não era um tópico de estudo genérico e que somente os selecionados poderiam entrar na sua sabedoria secreta. Àqueles já espiritualmente orientados na sua busca de experimentar o Divino. Àqueles cujas necessidades não seriam satisfeitas com as visões tradicionais e dogmas estabelecidos em sua abordagem de realizar o "Mitzvot" (os mandamentos da Torah), e para os cientistas em curso de colisão com a espiritualidade. Estes agora poderiam encontrar uma força renovada no conhecimento na Cabala.

 
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