segunda-feira, 7 de março de 2011

Rabi Yitschac Luria



Rabi Yitschac Luria Ashkenazi ben Shlomo (5294-5332 (1534-1572 EC)
Yahrtzeit: 5 de Av
Sepultado no Antigo Cemitério de Tzfat


Rabi Yitschac Luria é conhecido como o Ari, um acrônimo para Elohi Rabi Yitschac, o Divino Rabi Yitschac.

Nenhum outro mestre ou sábio jamais teve esta letra Alef extra, que significa Elo-hi (Divino), introduzindo seu nome. É um sinal daquilo que seus contemporâneos pensavam dele. Gerações posteriores, temerosas de que este apelido pudesse ser mal interpretado, disseram que este Alef era para Ashkenazi, indicando que sua família tinha origens alemãs. Porém o significado original é o correto, e até hoje, entre os cabalistas, Rabi Yitschac Luria é chamado apenas de Rabenu HaAri HaKadosh [o Santo Ari], ou Arizal [o Ari, de abençoada memória].

Os ensinamentos do Ari receberam o status de um Rishon [autoridade fundamental]. Todo costume do Ari foi escrutinizado, e muitos foram aceitos, mesmo que se opusessem a práticas prévias. O Maguen Avraham (Rabi Avraham Gombiner, 1635-1683) aceita os costumes pessoais do Ari como precedentes legais obrigatórios. Na decisão de disputas que permaneceram não-resolvidas durante séculos, ele cita com freqüência o costume do Ari como a autoridade final.


As Maravilhas do Ari

O Ari nasceu na Cidade Velha de Yerushaláyim em 5294 (1534), onde agora fica o antigo Museu Yishuv Court. Diz-se que o próprio Eliyahu HaNavi foi o sandac no seu berit. O Sêfer HaKavanot U’Massê Nissim registra a seguinte história:

"Houve certa vez um chassid notável em Erets Yisrael, chamado Rabi Shlomo Luria… Um dia ele estava sozinho no Bet Knesset, estudando, quando Eliyahu HaNavi apareceu-lhe e disse: "Fui enviado a você pelo Todo Poderoso para trazer-lhe a notícia de que sua sagrada esposa conceberá um filho, e que você deve chamá-lo de Yitschac. Ele começará a libertar Israel das kelipot [forças do mal]. Por meio dele numerosas almas receberão seu ticun. Ele está destinado também a revelar muitos mistérios da Torá e a explicar o Zôhar. Sua fama se espalhará pelo mundo. Tome cuidado para não circuncidá-lo antes que eu venha para ser o Sandac [que se senta na Kisey Eliyahu e segura a criança durante a cerimônia]." Terminando de falar, ele desapareceu.

Rabi Shlomo Luria foi para casa mas não revelou seu segredo a ninguém, nem mesmo à mulher.
Quando o Ari nasceu, a casa ficou repleta de luz, e no oitavo dia eles o levaram ao Bet Knesset para circuncidá-lo. Seu pai procurou em toda parte para ver se Eliyahu tinha vindo como prometera, mas não o encontrou.

Todos insistiam com ele para que desse prosseguimento, mas ele replicou que ainda não tinham chegado todos os convidados. Passou-se uma hora, mas Eliyahu ainda não viera. Então ele pensou consigo mesmo, amargamente: "Meus pecados devem tê-lo impedido de cumprir sua promessa."

Mas enquanto chorava, Eliyahu apareceu e disse: "Não chore, servo de Hashem. Aproxime-se do altar e ofereça seu filho como um sacrifício puro dedicado inteiramente ao Céu. Sente-se em minha cadeira e eu sentarei sobre você."

Então, invisível a todos os presentes exceto Rabi Shlomo, Eliyahu sentou-se sobre ele, recebeu a criança nos braços e segurou-a durante toda a circuncisão. Nem o Mohel nem aqueles reunidos viram outra coisa além do pai que segurava o bebê. Após o berit milá, ele prometeu novamente a Rabi Shlomo que o menino traria grande luz ao mundo inteiro, e desapareceu.

Rabi Shlomo faleceu quando Ari ainda era criança. Em 1541, incapaz de sustentar a família, sua mãe decidiu viajar ao Egito, onde foram viver com o irmão dela, Mordechai Frances, um rico coletor de impostos. Seu brilhantismo continuou a reluzir em pilpul [dialética] e lógica. Seus mestres foram Rabi David ben Zimra (Radbaz) e Rabi Betzalel Ashkenazi, autor de Shitá Mekubetzet.

Quando tinha quinze anos, seu conhecimento em Talmud tinha superado todos os sábios no Egito. Embora tivesse se casado com a filha do tio nesta época, ele passou sete anos em quase total hitbodedut [auto-reclusão] com Rabi Betzalel Ashkenazi. Foi mais ou menos nessa época que um inestimável volume do Zohar chegou às suas mãos. Com este Zohar, ele ficou recluso por mais seis anos. Ele então atingiu níveis ainda mais elevados de kedushá – santidade. Isso ele fez durante dois anos, numa casa perto do Nilo. Ali ele permaneceu totalmente isolado, não falando com nenhum ser humano.

Ele voltaria para casa na véspera do Shabat, pouco antes do anoitecer. Mas mesmo em casa, ele não pronunciava uma palavra, nem mesmo com a esposa. Quando era absolutamente necessário dizer alguma coisa, ele o fazia com o menor número possível de palavras, e então, falava apenas no Idioma sagrado. Ele progrediu dessa maneira até tornar-se digno de Ruach HaCodesh. Ás vezes, o próprio Eliyahu HaNavi se revelava e ensinava a ele os mistérios da Torá. Ele também teve o privilégio de sua alma ascender toda noite [aos reinos celestiais].

Hostes de anjos o saudavam para guardar seu caminho, levando-o às academias celestiais. Estes anjos lhe perguntavam que academia desejava visitar. Ás vezes ele escolhia a de Rabi Shimon bar Yochai, e outras vezes visitava as academias de Rabi Akiva ou Rabi Eliezer, o Grande. Numa ocasião ele visitou também as academias dos antigos Profetas. Em 1570, após ter atingido um nível extremamente elevado de santidade no Egito, Eliyahu lhe disse que tinha chegado a hora de ascender a Tzfat. Ali, ele encontraria Chayim Vital, o homem a quem ele estava destinado a transmitir as chaves para a sabedoria antiga (Shiv’chey HaAri; Toledot HaAri).

Os ensinamentos do Arizal explicados por Rabi Chayim Vital
(introdução a Sha’ar HaHakdamot):

O Ari transbordava de Torá. Ele era completamente versado em Tanach, Mishná, Talmud, Pilpul, Midrash, Agadá, Maassê Bereshit e Maassê Merkavá. Era especialista na linguagem das árvores, das aves, e na fala dos anjos. Podia ler os rostos da maneira delineada no Zohar (2:74b). Ele podia discernir tudo que qualquer indivíduo tinha feito, e podia ver o que faria no futuro. Podia ler o pensamento das pessoas, antes mesmo que o pensamento lhe entrasse na mente. Ele conhecia os eventos futuros, sabia tudo que estava acontecendo aqui na terra, e o que era decretado no céu. Ele conhecia os mistérios de Gilgul [reencarnação], quem tinha nascido previamente, e quem estava aqui pela primeira vez. Ele podia olhar para alguém e dizer-lhe como ele estava conectado a D’us, e como estava relacionado a Adam. Podia ler coisas assombrosas [sobre as pessoas] à luz de uma vela ou na chama de uma fogueira. Com os olhos ele perscrutava e podia ver as almas dos justos, tanto aqueles que tinham morrido recentemente quanto os que tinham vivido nos tempos antigos. Com estes ele estudou os verdadeiros mistérios. Pelo odor de uma pessoa ele podia dizer tudo que ela tinha feito, uma habilidade que o Zohar atribui à sagrada Yenuka [criança] (3:188a).
Era como se todos estes mistérios estivessem concentrados dentro dele, esperando para ser ativados sempre que ele quisesse. Ele não precisava isolar-se para fazê-los aflorar. Tudo isso vimos com nossos próprios olhos. Estas não são coisas que ouvimos de outros. Eram coisas maravilhosas que ainda não tinham sido vistas na terra desde a época de Rabi Shimon bar Yochai.
Nada disso era conseguido por meio de magia, D’us não o permita. Há uma forte proibição contra estas artes. Em vez disso, tudo vinha automaticamente, como resultado de sua santidade e ascetismo, após muitos anos de estudo dos textos cabalistas antigos e novos. Ele então intensificou sua piedade, ascetismo, pureza e santidade, até que atingiu um nível no qual Eliyahu constantemente se revelava a ele, falando-lhe "boca a boca", ensinando-lhe estes mistérios. Isso é o que acontecia a Raavad, como declara Recanati.

Embora a profecia completa não exista mais, Ruach HaKodesh ainda está aqui, manifestada através de Eliyahu. É como se Eliyahu HaNavi ensinasse seus alunos, comentando o versículo "Devora era uma profetisa" (Shofetim 4:4). "Eu chamo céu e terra como testemunhas, que nenhum indivíduo, homem ou mulher, judeu ou gentio, livre ou escravo, pode ter Ruach HaKodesh concedido sobre ele. Tudo depende de suas ações" (Rabi Chayim Vital, introdução a Sha’ar HaHakdamot, impresso no início de todas as edições de Etz Chayim).Tumulo do Rabi Yitschac Luria

 
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