segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SARA



Foi acrescentado pelo Eterno um hei ao nome de Sarah para mostrar que está então é a rainha do mundo todo não só de Abraão segundo o Talmud.

A espiritualidade de Sara supera a de Abraham em sua habilidade de identificar a pureza de uma alma.


Sara, a primeira matriarca do povo judeu, nasceu na Mesopotâmia, no século XIX antes da E.C. Chamava-se Sarai, que significa “minha princesa”, e era filha de Haran, irmão de Abraham (nascido Avram).

Sara casa-se com Abraham, dez anos mais velho que ela, acompanha-o de Ur para Haran e mais tarde para Canaã, sempre levando seu irmão Lot.

Devido à sua incomparável beleza é identificada na Agadah como “Iscah”, que quer dizer “olhar”, pois jamais existiu beleza igual à dela. Sua formosura era tão renomada que, recentemente, foi encontrado um texto nos pergaminhos do Mar Morto, descrevendo com detalhes a incrível perfeição de seus traços.

Nossos primeiros patriarca e matriarca são símbolo de união, confiança e respeito entre o casal. Tinham os mesmos ideais elevados. Em sua tenda, Sara ensinava monoteísmo às mulheres, enquanto Abraham pregava aos homens. Este estava sempre pronto para receber com honras os visitantes que passavam por sua tenda e Sara apressava-se em servi-los com esmero. Formavam um par indivisível que, lado a lado, atuava na vontade do Criador.

Sara transformou seu lar em um santuário espiritual e foi merecedora de três milagres que se mantiveram em sua tenda até o dia de sua morte. Uma nuvem protetora, representando a presença Divina, permanecia constantemente sobre sua tenda. A massa com que ela preparava o pão era abençoada, de modo que seus convidados comiam e ficavam saciados por muito tempo. Ela estava repleta de qualidade espiritual que sacia muito mais do que a fome física. Finalmente, suas velas permaneciam acesas de um Shabat a outro. A chama da santidade nunca se extinguia ou diminuía.

O lar judaico é considerado por nossos sábios como o microcosmo do Beit Hamikdash. De fato, os milagres do lar de Sara têm paralelo com os do Templo Sagrado. Em ambos a presença Divina se manifesta. Tanto na tenda de Sara, quanto no lar de D’us. O pão do Templo permanecia fresco por toda a semana e era fonte de sustento e prosperidade para toda a nação. A chama das velas da Menorá a oeste do Templo permanecia acesa até sua substituição no dia seguinte.

Irradiava da tenda de Sara a potencialidade ilimitada de todo lar judeu.
A Torá nos conta que, devido a um período de grande fome na Terra de Canaã, Sara e Abrão, obedecendo uma ordem Divina, dirigem-se ao Egito em busca de comida. Abrão logo nota a baixa espiritualidade daquele povo e pede a Sara que diga ser sua irmã, pois teme que por causa de sua grande beleza eles o matem para tomá-la. Antes disso, porém, ele a esconde em um grande baú, o que acaba por despertar a curiosidade dos guardas alfandegários egípcios. Abrão lhes oferece qualquer valor em troca de preservar o baú fechado. Os guardas, porém, forçam-no a abri-lo e ficam maravilhados com a extraordinária beleza daquela mulher. Ela tinha na época 65 anos e a beleza de uma mulher de vinte.

Como Sara e seu marido haviam combinado, ela diz aos egípcios que deseja se casar com um homem abastado que obtenha o consentimento de seu “irmão”. Para conceder a mão de Sara, Abrão exigiu uma imensa fortuna, para que ninguém pudesse pagar. O que ele não previu é que o Faraó a desejasse, pagasse a quantia exigida e a levasse ao seu castelo. Assim mesmo, nosso patriarca não temeu por sua esposa, pois sabia que a Presença Divina estava com ela. Ele viu que um anjo acompanhava Sara durante toda sua caminhada ao Egito e sabia que, ao contrário de si mesmo, ela estava protegida.

Sempre que o Faraó se aproximava de Sara, um anjo lhe batia. Todos os moradores do castelo foram atingidos por terríveis infecções de pele e o próprio Faraó ficou impotente. Ele não podia tocar em Sara, pois D’us a protegia para garantir que ela cumprisse a missão que apenas uma mulher justa, de sua posição, poderia. O Faraó não tardou em perceber o que ocorrera. Temeroso do D’us de Sara, deixou que ela partisse com seu marido levando as riquezas adquiridas no Egito, além de sua filha Agar como escrava. Fato muito semelhante a este volta a acontecer mais tarde com Abraham e Sara em Guerar (pouco antes do nascimento de Isaac), cujo rei Abimelech também a deseja, mas, a exemplo do rei do Egito, assustado, acaba por deixá-los partir com muitas riquezas.

Sara era estéril e, após muitos anos de casamento, em um ato de abnegação, pede a Abraham que se deite com sua escrava Agar para que ele possa ter um filho e, portanto um herdeiro. Abraham consente e nasce Ismael. A fiel Agar, a princesa egípcia que abandonou sua vida no palácio pelo mérito de servir Sara, torna-se arrogante e passa a sentir-se superior. O relacionamento entre elas torna-se insuportável e Agar foge, mas um anjo intervém e a convence a aceitar Sara como sua ama, servi-la e respeitá-la.
Abraham tem 99 anos e Ismael treze quando D’us aparece a Abraham e pede que ele, seu filho e todos os seus homens façam a circuncisão (a aliança de D’us com o povo judeu) e lhe promete um filho com Sara. Antes, porém, é necessário mudar seus nomes pois como Avram (pai de Aram, subentendo-se pai do povo de Aram) e Sarai eles não teriam filhos. Recebem o nome de Abraham, (Av Hamon Goyim - pai de todos os povos) e Sara, que significa princesa (a princesa de todos e não só a “minha princesa”, a de Abraham, subentendendo-se que agora o conceito é universal).

A promessa de que Sara será mãe aos 90 anos é repetida a Abraham quando os anjos visitam sua tenda, antes da destruição de Sodoma e Gomorra. Tanto Sara quanto Abraham riem ao tomar conhecimento da incrível notícia, por esta razão seu filho será chamado Isaac (que rirá).

Surpresa e incrédula, ao rir, ela faz um comentário a respeito de seu corpo, biologicamente já envelhecido para a fecundidade, e da velhice de seu marido. D’us, ao comentar o fato com Abraham, omite as palavras de sua esposa sobre a velhice de seu marido, no intuito de evitar qualquer discórdia entre o casal, como exemplo de uma grande mitzvá no judaísmo, que é fazer a paz entre o casal.

No judaísmo nada é acidental. Um nome alterado, especialmente quando feito pelo Divino, tem um peso repleto de significado e simbolismo.

O nome de uma pessoa não é apenas uma palavra pela qual se é chamado, mas sim uma descrição de sua caracterização espiritual. No momento em que os pais dão um nome judaico a seu filho são abençoados com um espírito profético que lhe permite chamá-lo com o nome que representa a sua essência e sua missão espiritual.

Quando uma pessoa está seriamente doente é o reflexo de que sua alma está fraca. Acrescentando-lhe um nome que sugira longevidade, como Haim (vida), ou Rafael (cura), espera-se acrescentar a energia espiritual perdida e livrar a doença de seu corpo físico.

No caso de Abraham e Sara, a sutil alteração de seu nome, feita diretamente por D’us, permitiu que seu destino de casal estéril fosse alterado.
Exatamente um ano após a profecia, Sara milagrosamente gera Isaac. Em meio a tanta alegria, más línguas espalham rumores sobre a origem do recém-nascido. Surge o boato de que ele havia sido adotado ou de que era o filho de Sara com Abimelech, o rei de Guerar. Para dissipar qualquer dúvida, ela convida as mulheres para visitá-la e amamenta seu filho e até o de outras diante de seu olhar incrédulo. Quanto a Abraham, Isaac se pareceria cada vez mais com ele.

Isaac tinha dois anos quando Sara notou que as atitudes de Ismael eram extremamente imorais. Percebendo a péssima influência que ele poderia ser para o seu filho, pressionou seu marido a expulsá-lo, juntamente com sua mãe Agar. Intuitivamente, ela soube que a presença de Ismael desviaria Isaac de sua sagrada missão junto ao povo judeu. Porém Abraham, tomado por seu amor paterno, rejeitou o pedido de sua esposa.

É necessária a interferência Divina, confirmando a correta percepção de Sara, para que ele compreenda. D’us diz a Abraham: “Ouça tudo o que Sara lhe diz”. Essa é a confirmação de que Sara é espiritualmente mais elevada que Abraham quanto à sua habilidade profética, especialmente em identificar a fonte espiritual de uma alma.

Embora Abraham tivesse alcançado um nível espiritual elevadíssimo, a ponto de ser chamado de o “Príncipe de D’us”, sabia que em muitos aspectos Sara lhe era superior.

Em seu tributo a Sara, declamou “Eshet Chayil” - o poema “A mulher de valor” -, que é recitado na noite de Shabat, antes do kidush sobre o vinho. A canção inicia: “Uma mulher de valor quem encontrará, ela é mais preciosa do que pérolas...”

D’us dirigiu-se diretamente a Sara uma única vez e usou apenas três palavras: “Não, você riu”, referindo-se à sua reação quando soube que teria um filho. Era suficiente para que ela compreendesse e se refinasse ainda mais. Pelo mérito de D’us ter-lhe dirigido estas três palavras, é considerada uma das sete profetisas.

Sara morre aos 127 anos, possivelmente de susto, ao ser avisada do sacrifício de Isaac. É enterrada na caverna de Machpelah, em Hebron, legalmente adquirida por Abraham para servir de túmulo à sua família.

Sara obteve em sua vida tão alto nível de integridade, que todos os seus anos eram iguais em qualidade. Aos cem anos ela estava tão longe da possibilidade de pecar quanto aos vinte anos.

Todos os dias de Sara eram bons. Com nossa primeira matriarca aprendemos que uma “vida boa” não é necessariamente uma vida fácil e confortável. Devemos servir ao Criador com alegria mesmo quando não colhemos os frutos de nosso trabalho em nossos dias. E mesmo que as dificuldades nos impeçam de rir, ainda devemos enfrentar a vida com serenidade.

 
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