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sábado, 26 de setembro de 2009

Morte judaica.



Um funeral judaico é uma cerimônia de calma dignidade; uma mortalha branca é usada tanto pelos ricos como pelos pobres, um caixão simples de madeira, um enterro rápido sem ostentação são alguns dos costumes simples que predominam.

A morte é a crise da vida. A maneira de um homem lidar com a morte indica muito sobre sua atitude para com a vida. Assim como há um estilo judaico de vida, também existe um estilo judaico de morte.

Da mesma forma que a maneira judaica jde viver é uma perspectiva distinta e um estilo de vida singular específicas de D'us, assim também a maneira judaica de morrer implica atitudes singulares em relação a D'us e a natureza, e relativamente ao problema do bem e do mal. Há também uma maneira distintiva de demonstrar as qualidades específicas judaicas de reverência pelo homem e respeito pelos mortos.

Por exemplo, a proibição tanto da cremação (a eliminação rápida e não natural do corpo) e o embalsamamento (a preservação não natural do corpo), mostram uma filosofia do homem e seu relacionamento com D'us e com a natureza.

– A repugnância pela mutilação de um corpo expressa reverência pelo homem, porque este foi criado à imagem de D'us.

– O banimento da necromância está baseado em conceitos teológicos muito exatos de criatura e Criador.

– O mandamento de enterrar os mortos sem delongas traça uma linha muito fina porém clara entre a reverência pelos mortos e veneração pelos mortos.

O profundo discernimento psicológico implícito nas altamente estruturadas observâncias judaicas do luto falam com eloqüência sobre a preocupação do Judaísmo pela integridade psicológica da personalidade humana.

Preparação do corpo

"Assim como veio, ele deve ir," diz Cohêlet.

Assim como um recém-nascido é imediatamente lavado e entra neste mundo limpo e puro, também aquele que parte deste mundo deve ser limpo e purificado através do ritual religioso chamado taharat, purificação.

O taharat é realizado pela Chevra Kadisha (Sociedade Sagrada, i.e., Sociedade Funerária), consistindo de judeus instruídos na área de deveres tradicionais, que podem mostrar o respeito adequado pelo falecido.

Além da limpeza física e preparação do corpo para o enterro, eles também recitam as preces apropriadas exigidas, pedindo perdão a D'us pelos pecados que o falecido possa ter cometido, e rezam para que D'us o guarde e lhe conceda a paz eterna.

A tradição judaica reconhece a democracia da morte. Exige, portanto, que todos os judeus sejam enterrados no mesmo tipo de veste – uma mortalha branca simples. Ricos ou pobres, todos são iguais perante D'us, e aquilo que determina sua recompensa não é a roupa que vestem, mas aquilo que são. Há quase 2.000 anos, Rabi Gamaliel instituiu essa prática para que os pobres não ficassem envergonhados e os ricos não exibissem o custo de suas roupas do funeral.

As roupas a serem vestidas devem ser apropriadas para alguém que está perto de ficar em julgamento perante D'us Todo Poderoso, Mestre do universo e Criador do homem. Portanto, elas devem ser simples, feitas à mão, perfeitamente limpas e brancas. Estas mortalhas simbolizam pureza, simplicidade e dignidade.

A Torá, em sua sabedoria, exigiu que o enterro ocorresse o mais rápido possível depois da morte.

O conceito religioso incluído nesta lei é que o homem, feito à imagem de D'us, deve receber o mais profundo respeito. É considerada uma questão de grande constrangimento e descortesia deixar o falecido sem enterrar – sua alma retornou a D'us, mas seu corpo é deixado na terra dos vivos.

A Lei Judaica é inequívoca ao estabelecer de maneira absoluta que os mortos devem ser enterrados na terra. O corpo do homem retorna ao pó como era. A alma sobe a D'us mas o abrigo físico, os elementos químicos que revestiam a alma, mergulham no vasto reservatório da natureza.

"Pois do pó vieste, e ao pó retornarás" (Bereshit 3:19) é o princípio guia no que tange à escolha dos caixões, que deve ser completamente feito de madeira.

A Torá nos diz que Adam e Eva se esconderam entre as árvores no Jardim do Éden quando escutaram o Divino julgamento por terem cometido o primeiro pecado. Disse Rabi Levi: "Este foi um sinal para seus descendentes de que, quando morrerem e estiverem preparados para receber sua recompensa, devem ser colocados em caixões de madeira."

Costumes não-judaicos

A cremação jamais é permitida. O falecido deve ser enterrado, corporalmente, na terra. É proibido – em toda e qualquer circunstância – reduzir o morto a cinzas num crematório. É um ato ofensivo, pois violenta o espírito e a letra da lei Judaica, que nunca, no passado, sancionou a antiga prática pagã de cremar o corpo.

A abominação judaica da cremação já foi registrada por Tácito, o historiador romano do Primeiro Século EC, que fez uma declaração sobre aquilo que parecia uma característica distintiva dos judeus enterrarem, e não cremarem, os seus mortos.

Nos dias antigos, o Talmud nos informa, flores e especiarias perfumadas eram usadas no funeral para disfarçar o odor do corpo em decomposição. Hoje, isso não é mais essencial e não devem de maneira alguma ser usados em funerais judaicos.

É muito melhor homenagear o falecido fazendo uma contribuição a uma sinagoga ou hospital, ou a uma associação de pesquisa médica para a doença que afligiu o falecido. Este método de tributo é mais duradouro e significativo.

Atualmente, as flores são usadas basicamente em funerais cristãos; este é considerado em ritual não-judaico e deve ser desencorajado.

Outro costume que definitivamente é estranho e proibido ao Judaísmo é a exposição dos restos mortais, claramente uma prática religiosa cristã.

No Judaísmo, o local para oferecer condolências é em casa, durante os sete dias especiais de luto chamados shivá.

O Serviço do Funeral

A expressão judaica mais notável de dor é quando o enlutado rasga as próprias roupas antes do funeral.

Quem deve rasgar as roupas?
Sete parentes estão obrigados a desempenhar esta prática: filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã e cônjuge.

Eles devem ser adultos acima da idade de treze anos. Menores, que sejam realmente capazes de entender a situação e avaliar a perda, podem ter as roupas rasgadas por outros parentes ou amigos.

Cônjuges divorciados podem cortar as roupas, mas não são obrigados.

O serviço de funeral é breve e simples, designado basicamente para homenagear a dignidade do falecido. O serviço consiste em:
– Ler uma seleção de Tehilim (Salmos) apropriada à vida do falecido.
– Fazer uma eulogia de suas boas qualidades que os sobreviventes procurarão implantar em sua própria vida.
– Uma prece memorial pedindo a D'us que abrigue sua alma "nas asas da Divina Presença".

Leis durante e após o Sepultamento

As pessoas que estão colocando terra na sepultura devem tomar cuidado para não passar a pá ou a enxada de mão em mão, mas sim, fincá-la na terra.

• Aqueles que estiverem presentes ao enterro devem formar duas filas, como um corredor, por onde os enlutados deverão passar. Aqueles que formarem o corredor devem recitar a tradicional prece de consolação: "Hamacom yenachem etchem betoch shear avelê Tsiyon Virushaláyim" "Que D’us te conforte entre os outros enlutados de Sion e Jerusalém."

• É uma mitsvá acompanhar o falecido até o cemitério.

• Se for incapaz de ir até o cemitério, a pessoa deve caminhar pelo menos uma distância de 2 ou 3 metros acompanhando o corpo.

• É importante que um grupo de no mínimo de dez homens adultos (a partir de 13 anos) esteja presente no cemitério, para que haja um minyan para o cadish.

• É uma grande mitsvá fazer um discurso apropriado ao falecido, mencionando seus bons traços de caráter (que seja sincero e contenha verdades, caso contrário torna-se prejudicial ao orador e ao falecido). O objetivo primordial do panegírico é honrar o falecido. Falamos também sobre seus pais e família, Se o falecido deixou instruções de que preferia não ser louvado, sua vontade deve ser feita.

• É uma mitsvá chorar e prantear pelo falecimento de uma pessoa justa. D’us conta e entesoura as lágrimas derramadas quando um justo se vai.

• A presença de um corpo morto é considerada uma fonte de impureza ritual. Por este motivo, um cohen não pode permanecer na presença de um cadáver, fazer visitas ou ir a enterro no cemitério, a menos que seja o enterro pelos seus pais. Um cohen deve ser cercado por um círculo de pessoas de mãos dadas ou um material como uma cerca a sua volta para poder visitar algum túmulo ou permanecer no cemitério.

• No cemitério, o cohen falecido é enterrado próximo aos portões do cemitério, para que seus parentes não se profanem caminhando perto de outros túmulos.

• É importante que homens e mulheres não se misturem durante os panegíricos ou a procissão fúnebre.

• É proibido retardar um sepultamento, pois é prejudicial ao falecido, podendo causar sofrimento a sua alma. Somente em situações realmente necessárias é permitido um breve adiamento caso estejam ainda preparando os detalhes da sepultura ou para que parentes próximos que se encontram em outras localidades possam comparecer ao funeral. (Não realizamos o sepultamento no final da tarde de sexta-feira se isso puder causar a profanação do Shabat.)

• É necessário consultar um rabino ortodoxo competente antes de retardar um funeral.

• Para os pais, é adequado expandir os elogios em sua honra.

• O correto é que apenas judeus estejam envolvidos nos cuidados e no transporte do corpo.

• A pessoa é obrigada a interromper até o estudo de Torá a fim de acompanhar o falecido.

• Costuma-se recitar capítulos especiais doTehilim durante o funeral.

• Utiliza-se um caixão de madeira, mas é preferível minimizar a madeira e mesmo as mortalhas, para que o falecido fique o mais próximo possível do solo.

• O falecido é deitado de costas, como alguém que está dormindo.

• Pedimos perdão ao falecido, no caso de não termos mostrado o respeito adequado.

• Costuma-se não passar as pás de uma pessoa a outra, para demonstrar que não passamos tristeza a outras pessoas; pousa-se a pá e esta então é apanhada do chão.

• Não se pode agir de maneira descuidada no cemitério, o que inclui: não comer, não beber, não fumar [Yalkut Yossef], não tratar de assuntos de negócios.

• É proibido usar passagens entre os túmulos como atalho.

• De forma geral, é proibido abrir um túmulo depois de este ter sido fechado.

• É costume após o enterro, ao sair do cemitério, arrancar um pouco de grama, para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida quando da ressurreição dos mortos (Techiyas Hametim ) e jogá-la por cima do ombro direito para trás e recitar o seguinte: "Veyatsisu me'ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu" (Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as plantas da terra”.

Obs: Se o sepultamento ocorrer em Chol Hamoed, não se pode arrancar a grama.

Ao sair do cemitério cada pessoa deverá fazer netilat yadáyim (ablução das mãos). O costume é de não enxugar as mãos após a netilá, porém nos dias frios pode-se enxugá-las. Não se costuma passar a caneca de netilat para outra pessoa após usá-la para mostrar que não passamos tristeza a outras pessoas. A caneca deverá ser colocada com a abertura para baixo, indicando que toda vida chegará ao fim.



 
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